| Bispo para vós - Cristão convosco(Santo Agostinho) |
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Liturgia das horas
Dos Sermões de Santo Agostinho, bispo - (Sermão 340,
1: PL 38, 1483-1484) (Sec. V)
Mas se por um lado me atemoriza o que sou para vós, por outro lado consola me o que sou convosco. Sou bispo para vós, sou cristão convosco. Aquele nome significa um encargo recebido, este exprime o dom da graça; aquele é ocasião de perigo, este é caminho de salvação. Na nossa actividade episcopal sentimo nos como num mar imenso e tempestuoso; mas quando recordamos Aquele que nos remiu com o seu sangue, é como se entrássemos num porto seguro e tranquilo; e se o cumprimento dos deveres próprios do nosso ministério exige trabalho e esforço, o dom de ser cristão, do qual participamos convosco, representa o nosso descanso. Portanto, se me agrada mais o pensamento de ter sido resgatado convosco do que o de ter sido constituído vosso chefe espiritual, então devo entregar me mais generosamente ao vosso serviço, segundo o mandato do Senhor, para não ser indigno do preço pelo qual mereci ser vosso irmão no serviço de Deus.
De facto, devo amar o Redentor e sei o que Ele disse a
Pedro: Pedro, amas me? Apascenta as minhas ovelhas. E disse o uma, duas, três
vezes. Interrogava sobre o amor e impunha o trabalho, porque, quanto maior é o
amor, menor é o trabalho. E, todavia, apesar de amarmos desinteressadamente e de apascentarmos gratuitamente as suas ovelhas, como podemos esperar uma recompensa? Como é possível conciliar estas duas coisas: «Apascento, porque amo gratuitamente» e «Espero a recompensa porque apascento?». De modo nenhum seria possível, de modo algum esperaria a recompensa d’Aquele que é amado gratuitamente, se a recompensa não fosse Aquele mesmo que é amado. Se Lhe retribuímos o dom da redenção apascentando as suas ovelhas, que havemos de retribuir por nos ter constituído pastores? Efectivamente, maus pastores – queira Deus que nunca o sejamos – somo lo por nossa culpa; ao passo que bons pastores – queira Deus que sempre o sejamos – não o podemos ser sem a sua graça. Por isso, meus irmãos, vos exortamos a que não recebais a graça de Deus em vão. Fazei que seja frutuoso o nosso ministério. Sois a agricultura de Deus. Recebei a actuação exterior daquele que planta e rega, e a acção interior d’Aquele que faz crescer. Ajudai nos com a vossa oração e com a vossa obediência, de modo que encontremos maior alegria em ser vossos servos do que em ser vossos chefes.
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