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Vigésimo Aniversário do Coro Paroquial Vida Nova Imprimir EMail

 

Vigésimo Aniversário

do

Coro Polifónico Vida Nova

 

que canta a Missa das 09,30h, na Igreja Paroquial de Gondomar

 

XV Domingo do Tempo Comum, Ciclo B

 

Homilia

«Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».

Caros Irmãos desta nossa Assembleia, estimados Irmãos do Coro Polifónico Vida Nova, paroquianos.

Deixemo-nos inebriar, por este quadro. Coloquemo-nos diante de Jesus e daquela Criança. E ouçamos de novo:

«E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: “Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou”».

A Criança é símbolo da bondade. Fruto do Amor dos seus Pais. A Criança é símbolo da esperança. Nela tudo pode acontecer, cabe todo o futuro como num sonho. A Criança é sinal da beleza da vida. Ali no meio de todos, trazida por Jesus, face a face com Ele, os demais à sua volta, ela aponta para algo mais… além. Ela torna-se objeto de contemplação, e sujeito intermediário entre aquelas pessoas e Jesus Cristo, e em última análise mediação com o próprio Pai do Céu. A Criança é dócil, meiga, confia, pode parecer frágil, insignificante, sem lugar porque não produz. E no entanto, ela congrega a todos à sua volta, re-une a todos em tensão e expetativa, é para ser entendida, no seu significado mais lidimo. Aquele ser – cada Criança, como toda a Arte – é para ser acolhida, abraçada, olhada, escutada, abraçada, envolvida pelos braços do trabalho e da Arte. Numa palavra: amada. Aquela Criança, abraçada por Jesus, aponta para algo mais, para o futuro, para Jesus e em Jesus para Deus Pai, para a plenitude do Ser Infinito. Esta Criança leva-nos a Jesus e por Jesus ao Pai, mas também por ela Jesus vem até nós. E porque ele é Deus encarnado, por Jesus chega a nós o próprio mistério intangível e inacessível: Deus Pai. Nela como na Arte, sentimos, tocamos o indizível, o inefável.

«E, tomando uma criança, colocou-a no meio deles, abraçou-a e disse-lhes: “Quem receber uma destas crianças em meu nome é a Mim que recebe; e quem Me receber não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou”».

A Arte realiza exatamente tudo isto. Tal como aquela Criança, faz mediação da pessoa até Jesus e por Ele ao Infinito Amor e Beleza: Deus Pai. Mas coloca em nossos braços, podemos abraçar, sentir e tocar, interagir com o numinoso, Deus, naquela Arte. Toda a forma de Arte, Música, Poesia, Escrita, Pintura, Escultura, Arquitetura, Dramaturgia, Cinema e toda a Composição plástica, como Criação virtual multimédia, eleva-nos como mediação para o Divino, mas torna também o Divino presente, ao nosso alcance, acessível aos nossos sentidos, podemos tocar-lhe, sentir, abraçar. O Belo, que é mais que simples bonito.

De todas as formas de Arte, destaca-se, unanimemente a Música. A Música, enquanto sons, e timbres, voz e vibrações é o essencial da nossa comunicação e educação. Vimos muito, mas distinguimos muito mais sons que cores. E a comunicação oral, sons aliados a gestos, será sempre a forma de comunhão por excelência. A Música preenche todo o nosso ser do nascimento à morte: do primeiro ai ao nascer ao último suspiro ao findar. Cantamos se felizes, choramos se tristes, gritamos na vitória ou na dor e aflição. E sempre Música. Não há Festa, manifestação, Congresso, Missa Dominical, batalha ou canteiros a colocar a pedra sem música. E se alguém faz anos, não nos limitamos a belos discursos, gestos ramos, prendas… cantamos os parabéns. A Música é dimensão essencial do nosso ser pessoal e coletivo. Todos os Países têm o seu Hino, os Clubes, os Partidos, os Grupos e Associações. E no desporto, ou Jogos Olímpicos, a música revela a alegria e consagra os heróis.

Mas muito mais a Música Litúrgica: aquela que brota da Palavra de Deus, é rezada e na vida assimilada… e depois se eleva e nos eleva até Jesus e por Jesus ao Infinito Amor e Beleza do Pai.

A Música será certamente a primeira Arte. E dentro da Música, o Canto é a maior, mais envolvente, mais natural, a que mais mobiliza os nossos sentidos e aparelhos. O Canto é a Arte que mais nos toca e toca, a partir de dentro, tocando e atingindo profundamente o outro. Na expressão do canto, são todos os nossos mecanismos de vida que entram em ação sincronizada, harmoniosa e convergente. E todo o artista aproxima-se do Criador, de Deus que fez do nada todas as coisas. Criador e Artista, estão próximos. Deus é o único Criador, mas os Artistas adornam, modelam a obra de Deus, recriando assim novas formas. Quase poderíamos ousar dizer, que Deus Pai é o Criador e cada Artista, ensaia ser re-criador.

Toda a Arte está ao serviço da Beleza e Bondade, segundo o conceito grego: belo e bom, numa mesma realidade. Onde há Bondade, descobrimos a ponto de confundir, a Beleza; e a Beleza pacifica-nos, faz-nos bem, unifica-nos, é símbolo. Faz-nos melhores, é bondade. Elimina a rivalidade, desordem, educa para as boas e belas ações, purifica e pacifica, semeia a paz, união e concórdia.

Tal como a Criança, nos braços de Jesus, toda a Arte e a Música ainda mais, congrega, unifica, os Músicos entre si e com todo o público, no nosso caso Assembleia orante. Potencia, purifica e eleva a nossa comunhão com o Senhor ressuscitado e uns com os outros. E sempre num código universal, matemático e rigoroso. A Arte, muito em especial a Música, mais ainda a Música Litúrgica, sublima nossas fraquezas terráqueas e congrega a todos, unifica as vozes e por elas os corações numa harmonia feliz em espiral para o eterno. Une-nos e “re-une-nos” a Deus e ao cosmos.

Daqui a sua força de gerar Bem Comum, congregar tantos diferentes em uníssono, em unanimidade, alma e coração. A Arte e a Música com maior razão são uma Escola, uma força educadora e geradora do Bem Comum.

O Canto Litúrgico, apoia-se, apoia e promove, liberta, revela e dá á luz sentidos novos da Palavra de Deus. E sabemos como a Palavra de Deus foi divinamente inspirada, por isso é verdadeira e eterna. E não dizemos também que a Arte, a Música, são fruto de inspiração dos artistas? Não há aqui também algo de divino, sopro do Espirito Santo?

Caros Irmãos da nossa Comunidade, particularmente vós estimados amigos e servidores do Coro Polifónico Vida Nova: é tudo isto que aqui celebramos e agradecemos ao Pai, por Jesus, por meio destas pessoas simples como crianças do Coro da Missa das 09,30h.

E a música? A música da Igreja é música de oração que faz escutar a voz de Deus e que provoca a voz da Esposa, a Igreja. Mas que maravilha quando se canta a Missa! Sim, os textos propostos (ou outros semelhantes, de acordo com as possibilidades dos executantes), com música autêntica e adequada. A vossa preocupação na comunhão e fidelidade à Igreja, à comunhão paroquial. Bendito seja o Senhor. 

Então, a voz de Deus ressoa no interior e desperta para a comunhão com Ele, fonte da verdadeira alegria, paz e felicidade! Aí, a música não é enfeite, nem “animação”, nem preenche nada, porque se integra no todo e nos integra totalmente, numa comunhão que é obra de Deus.

É exatamente tudo isto que o Coro Polifónico Vida Nova tem feito, e procura generosamente fazer cada vez melhor, na nossa Comunidade, na Eucaristia dominical das 09,30h.

Graças a Deus por todos e cada um, pelos primeiros fundadores e responsáveis, por todos os membros, familiares e amigos. Pelo que já se foram de nós, e agora cantam o “Cântico do Cordeiro”, na Jerusalém celeste.

Que o Senhor abençoe a todos, conceda os melhores bens temporais e eternos. Ao Maestro, alma incansável deste vinte anos, continuação de muita inspiração, pois transpiração não lhe tem faltado, tudo com amor bem regado.

Toda a nossa Comunidade está feliz e grata ao Senhor por toda a dedicação e sacrifício, ao serviço da comunhão, da Unidade, da Arte Musical, como fecunda mediação, eficaz aproximação das Pessoas de Deus e trazendo Deus na Beleza, Arte e Música até nós. Como aquela bendita Criança.

Todos os Coros, como artistas, o nosso Coro Polifónico Vida Nova, que hoje celebra vinte Anos, faz-nos amar a beleza que é chave do mistério e apelo ao transcendente. Este coro embala-nos a saborear a vida e a sonhar o futuro. Conforta-nos e consola-nos, desperta-nos e liberta pesos e tumultos da nossa alma. Esta beleza das coisas criadas, da Música Litúrgica como Arte – aqui promovida por este coro – suscita em todos nós aquela arcana saudade de Deus que um enamorado do belo, como S. Agostinho, soube interpretar com expressões incomparáveis: «Tarde Vos amei, ó Beleza tão antiga e tão nova, tarde Vos amei!».

 

23 de Setembro de 2012 – Eucaristia dominical,

Presidiu o Pároco, Padre Alípio Barbosa

Liturgia deste Domingo:

LEITURA I – Sab 2,12.17-20

LEITURA II – Tiago 3,16-4,3

EVANGELHO – Mc 9,30-37

 

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