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HOMILIA DO SR. D. ANTÓNIO TAIPA Imprimir EMail

ENCERRAMENTO DA MISSÃO BÍBLICA EM GONDOMAR

2005.02.27

HOMILIA DO SR. D. ANTÓNIO TAIPA, tal como foi dita

Ex 17.3-7;  Rm 5, l-2.5-8;  Jo 4, 5,42

Senhor Pe. Alípio, Pároco desta comunidade; Senhores Padres Capuchinhos, que pensaram, criaram e realizaram esta Missão Bíblica, junto de vós; Irmãs, Religiosas e Religiosos; Excelentíssimas Autoridades; Meus Irmãos:

1- É com esta solenidade toda que nós damos início a uma etapa nova na vida desta comunidade, que será fruto natural e obra do Espírito, deste encontro com a Palavra de Deus, porque o encontro com a Palavra não pode deixar ninguém indiferente.

É a Palavra Viva que interpela, toca e provoca a vida. É nesta simbiose de Palavra e Vida que nós vamos penetrando progressivamente no mistério da Palavra e ao mesmo tempo vamos descobrindo a vida na sua profundidade.

A Palavra ilumina a vida e a vida, em resposta, ajuda a “entender” a Palavra. Eu penso que nós precisamos todos de descobrir a verdade inteira da vida que é nossa, que nós descobrimos à luz da Palavra. Descobrir a nossa vida como o grande dom de Deus e descobrir a nossa vida, ou o nosso viver como resposta permanente a Deus, que nos chama à mesma vida, a esse Deus no qual nós vivemos e para O qual vivemos! E a nossa vida não é uma ideia. O nosso viver não é uma abstracção. O nosso viver é o dormir, o comer e o trabalhar nos diversos sectores e nas diversas vertentes da vida.

Nós temos de redescobrir o valor disso mesmo e sentir que vivemos, vivendo, respondendo a Deus, que nos chamou à existência, trabalhando, esforçando-nos com as nossas vitórias, as nossas derrotas, os nossos sucessos e insucessos, na saúde e na doença. É a vida, que nesta perspectiva, vale sempre a pena ser vivida, porque é nela e por ela, em comunhão com Jesus Cristo, é nela e por ela que nós caminhamos para a convergência universal junto do Pai. É muito bonito encontrarmo-nos com a Palavra de Deus, fazer estas descobertas.

2- Eu queria significar aos Senhores Padres Capuchinhos a nossa admiração e o nosso reconhecimento por este maravilhoso serviço que vêm realizando na nossa Igreja – que é a Igreja deles, a nossa Igreja – que é fazer regressar ao povo a Palavra de Deus, que foi gerada no meio do povo, na vida do povo, sob a acção do Espírito Santo. É das prioridades pastorais, apontadas pelo Santo Padre na carta que nos escreveu, ao começar este milénio.

3- Fizestes uma aproximação da Bíblia, não simplesmente como um livro, que ele é, e um livro interessante e bonito, mas como Palavra de Deus que ele também é, e com a mesma verdade. Palavra viva, daquela vida que lhe proporciona o Espírito que inspirou aqueles que a escreveram e que inspira aqueles que a lêem e a rezam. Não estamos sós a ler a palavra de Deus, estamos ajudados e tomados pelo Espírito que lhe dá vida.

4- É nela, como diz o Concílio, e por Ela, que o Pai vem conversar connosco como amigos. É nesta fé que nós havemos de ler sempre a Sagrada Escritura: vamos ouvir o Pai, vamos ouvir o Pai, e o Pai que gosta de nós, não em geral, mas gosta de nós e de cada um de nós. Vamos ouvir. Nela ouvimos esta Palavra do Pai que tem a sua expressão última em Jesus. Jesus é a expressão última do Pai. É a Palavra última e definitiva que o Pai nos disse. Este Jesus que o Espírito Santo nos revela como Filho de Deus. Quer dizer, nós, a ler a Escritura, iniciamo-nos na participação da vida Trinitária, da vida do nosso Deus, do Pai que nos fala do Seu Filho à luz do Espírito Santo ou com a luz do Espírito Santo. É neste contacto com a Palavra que lemos e rezamos, que nos encontramos a participar nesta comunhão de vida, nesta relação Divina que é a Santíssima Trindade.

5- É assim, pela leitura da Palavra, pelo convívio com a Palavra, que lemos e rezamos, que nós nos encontramos com Jesus-Palavra, com Jesus que também não é uma ideia, com Jesus que foi esse Homem que assumiu e viveu as nossas fraquezas e limitações, experimentou a nossa vida, soube o que era o cansaço e a sede. Esse Jesus quis aproveitar o serviço daquela mulher que a sociedade olhava com olhos vesgos e marginalizava. Quis aproveitar o seu serviço para saciar a sua sede. Esse Jesus que quis fazer ver àquela mulher que, nela, não estava tudo perdido, que ela não era uma mulher perdida, que ela podia ser útil. Dar de beber. Dessedentar aquele viandante cansado e sedento. Quis dizer àquela mulher que, apesar de tudo, do que ela era e dela diziam, que a sua vida tinha sentido ainda.

Encontramo-nos com este Jesus, que com aquele gesto tão simples e tão carregado de sentido - “dá-me de beber”-, ajuda aquela samaritana a regressar a si mesma, à sua auto-estima - “eu ainda sirvo para alguma coisa”. E assim, lhe abriu o caminho da comunhão e da integração social e da Salvação.

Encontramo-nos com esse Jesus que, por amor àquela mulher, passa por cima de tudo aquilo que são tabus, costumes, etiquetas ou convenções sociais - estar só com uma mulher e samaritana e pecadora não era bonito, era feio para a sociedade do tempo. Mas Jesus passa por cima de tudo porque Ele ama aquela mulher e é este amor que torna livre de tudo e que faz espantar os próprios apóstolos: “Como é? Como é?” É, é o amor que é a fonte primeira da liberdade. Ama e faz o que quiseres…

6- Nós precisamos todos de regressar a este Jesus, de conviver com Ele, este Jesus que temos no Evangelho, porque foi este Jesus, homem, pobre, simples, foi este Jesus que apaixonou os homens do seu tempo. E com este Jesus, que o Espírito Santo derramado nos nossos corações nos revela como o grande Dom de Deus, nos revela como o nosso alimento no Pão da sua Palavra e no Pão Eucarístico. O nosso alimento, no percurso da nossa vida, em direcção ao Pai, que nos revela este Jesus como o Profeta, o Messias, o Salvador que há-de vir, como o Filho de Deus e nos faz ver n`Ele a expressão última de um amor louco do Pai por cada um de nós. N`Ele o Pai dá-se, de maneira naturalmente misteriosa, mas dando o Filho, o Pai dá-se a si mesmo a nós pecadores. Às vezes apetece-me dizer que neste Jesus, Filho de Deus, o Pai como que nos pede por favor para nos deixarmos reconciliar com Ele. O Pai quer-nos junto de Si. Este Jesus que nós encontramos na leitura da sua Palavra, este Jesus é o grito permanente do Pai: deixai-vos reconciliar comigo, deixai-vos reconciliar comigo, deixai-vos apanhar por este amor.

7- É esta paixão por Jesus Cristo que nos constitui em Igreja. Nós somos Igreja de Deus, somos cristãos por referência a uma Pessoa, a uma Pessoa, a uma liberdade, a uma Pessoa que nos liberta de tudo e de todos. É isto que nos faz cristãos. Não é o termos uma doutrina muito bonita, que até temos, e uma moral muito interessante, que temos. O que nos faz cristãos é esta paixão por Jesus, da qual, depois decorre um determinado tipo de comportamento, da qual, depois decorre uma determinada visão do mundo, das coisas, da história dos homens e de Deus. Mas é esta paixão.

8- E é assim que nós, à volta de Jesus Cristo, animados pelo seu Espírito, nos tornámos espelho, no qual a Sua luz se reflecte para todos os homens.

9- É assim que nós nos tornamos comunidade evangelizadora, anunciadora, por esta vida decorrente e de acordo com este Homem-Deus que é o Senhor Jesus Cristo.

10- Esta Missão naturalmente não terminou. Claro que não pode terminar, não podemos esbanjar quanto por nós o Senhor fez nestes dias. Nós acreditamos que, pelas iniciativas, pela Palavra, pelos gestos, pela presença destes homens, destes Padres Capuchinhos, nós acreditamos que, por eles, Deus actuou em nós.

Nós olhamo-los como instrumentos desta acção de Deus no coração de cada um de nós. Nós sentimo-Lo, nós fizemos-Lhe a experiência. Não podemos deixar que isto morra. Temos de o prolongar num encontro permanente com este Senhor Jesus. Quer dizer, temos de o prolongar numa leitura assídua da Palavra, individualmente ou em grupo, numa resposta àquilo que foi sendo e vem sendo o apelo do Santo Padre e também do nosso Bispo:

- Uma leitura, diz o santo Padre, que permita ler o texto bíblico como Palavra viva que interpela, orienta e plasma a vida de cada um e de cada comunidade.

Damos graças a Deus por tudo quanto aconteceu no meio de vós. Pedimos ao Senhor que vos ajude a continuar esta resposta para Sua glória e para bem dos homens.  

D. António Maria Bessa Taipa, Bispo Auxiliar do Porto

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