J.A.T. template series was designed 2006 by 4bp.de: www.4bp.de, www.oltrogge.ws
ETAPAS DE LEITURA DA PALAVRA DE DEUS-Frei Vítor Arantes, OFM Imprimir EMail

ETAPAS DA LEITURA

DA PALAVRA DE DEUS

 

Introdução.

 

Para assinalar o 40º  aniversário da Constituição Dogmática «Divina Revelação» (DV), realizou-se em Roma,  de 14 a 18 de Setembro, um Congresso Internacional sobre a «Sagrada Escritura na  vida da Igreja».  No encerramento afirmava Bento XVI:  «A dupla dimensão de escuta e de anúncio da Palavra de Deus marcou, de forma decisiva, a vida da Igreja nas últimas décadas».  Com a Missão Bíblica de Março também muitos  gondomarenses despertaram  para a importância da Palavra de Deus como alimento fundamental da fé e «rocha firme» duma vida com sentido. Através das assembleias familiares começamos a saborear a Palavra de Deus,. As  assembleias familiares «Biblia e Vida», porém, correm o risco da rotina e do cansaço, se não tomarmos consciência  das razões de fundo, que nos devem  entusiasmar  pela opção bíblica, condição para uma fé esclarecida e adulta..  A leitura  e escuta  da Palavra de Deus torna-se hoje questão de vida ou de morte  para os  cristãos.. . De facto,  na leitura da  Palavra de Deus é o próprio Cristo quem nos fala e, pela acção do E. Santo,  abre «a inteligência à compreensão das Escrituras» (Lc. 24, 45). Ouçamos, a tal respeito, algumas afirmações espantosas da «Dei Verbum»:  «nos livros sagrados, o Pai que está nos céus vem amorosamente ao encontro de seus filhos, a conversar com eles». (DV 21).  E  ainda: «Deus  invisível, na riqueza do seu amor, fala aos homens como amigos e convive com eles, para os convidar e admitir à comunhão com Ele» (DV 2). E  mais adiante  encontramos esta  maravilhosa exortação: « O Sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fieis… a que aprendam a «sublime ciência de Jesus Cristo» (Filipenses 3,8), porque a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo» (DV 25).  Não admira que os primeiros cristãos e os Santos Padres tanto insistissem   na importância da leitura e meditação da Palavra de Deus  na vida da Igreja. Assim se explica a importância que, nos primeiros séculos,  se deu à denominada «lectio divina». Chamou-se «divina» - «sagrada» à leitura da Palavra de Deus, precisamente, porque Cristo está presente na Palavra e   por ela,  fala na Igreja e à Igreja... Quando lemos e escutamos a Palavra de Deus, é  o Senhor quem  nos fala (Antão, Francisco, Agostinho converteram-se ouvindo essa Palavra).  «Lectio divina», - «leitura divina»-   chamada também leitura sagrada, página sagrada, são tudo  expressões que, na antiguidade cristã,  designavam a leitura crente e orante da Sagrada Escritura.. Definem, portanto, aquela  leitura, que respeita a natureza e dignidade únicas da Palavra de Deus, isto é,  uma  leitura crente e orante.  Não devemos contentar-nos com a  leitura superficial, especulativa ou  curiosa  da Bíblia.  Para o evitar,  a «Dei Verbum»  contêm  três exortações, que vale a pena  fixar:

*  A primeira é dirigida aos clérigos: «E necessário, diz, que todos os clérigos se mantenham em contacto íntimo com as Escrituras». A expressão latina («in Scriptura haerere») significa «estar dentro, habitar nas Escrituras», familiarizar-se com a Palavra de Deus, mediante a «leitura assídua»(DV, 25).

       * A segunda   está orientada aos fieis  em geral: « O Sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fieis a  que aprendam a «sublime ciência de Jesus Cristo com a leitura frequente da Sagrada Escritura».(DV, 25).

  A  terceira, dirigida a todos, insiste na dimensão  orante da  leitura da Palavra:  «Lembrem-se, porém, que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada de oração, para que seja possível o diálogo entre Deus e o  homem»…

 Compreende-se, por isso,  que a Federação Bíblica Internacional  tenha dirigido   1991  um apelo ao Parlamento Europeu de Strasbourg  para incluir a Bíblia entre os livros escolares.. Felizmente, a  Bíblia  deixou de ser livro de Biblioteca; lentamente, vai-se tornando o verdadeiro «catecismo dos fieis». Nas dioceses e nas paróquias assistimos a um despertar de atenção à Palavra de Deus,  que nos faz sonhar com uma verdadeira Primavera  de vida cristã, à luz do Evangelho. A diocese de Setúbal acaba de lançar o projecto de três anos, orientado a  despertar nos cristãos o amor pela Palavra de Deus. Com tal projecto pretende-se:

* habituar os cristãos a confrontar com a Palavra de Deus a sua vida; aprender a procurar a presença redentora de J. Cristo na Palavra das Sagradas Escrituras; propôr a todos os cristãos uma leitura orante da Sagrada Escritura; preparar cada cristão para  a leitura assídua, inteligente, orante e obediente da Palavra de Deus (Texto da Internet. 3=.08.2.005). Vale a pena recordar também a admoestação  de Tiago Alberione, fundador dos Paulistas: «A Escritura é a carta que o Pai eterno nos enviou… Não nos arrisquemos a aparecer no tribunal de Deus sem termos lido a carta do Pai celeste, porque nos dirá: «não respeitaste  nem amaste o que te escrevi»!

 

Leitura  bíblica na Igreja.

 

  Ficam assim claros os  objectivo da «lectio divina»:  fazer da  leitura  individual ou comunitária  da Bíblia  uma «leitura crente e  orante»,  verdadeiro encontro com o Senhor que nos fala  e saborear a alegria da Sua presença, a fim de nos tornarmos fermentos de vida evangélica no meio do mundo.. Trata-se dum método, dum itinerário, que  visa tornar a leitura sagrada   caminho de oração e união com Deus. Guido II, Prior da  Grande Cartuxa (1173-1180),  descrevia este caminho de maneira poética: « Procurai, lendo, e encontrareis, meditando; chamai, orando e abrir-se-vos-á pela contemplação». E, mediante bela metáfora, descreve  as etapas da «Lectio Divina»: « A leitura ( da Bíblia)  leva à boca o alimento sólido; a meditação corta-o e mastiga-o;  a oração saboreia-o, a contemplação é  doçura que alegra e recria».  

 

1. Primeiro etapa: A Leitura/Escuta da Palavra.

 

Ao indicarmos as diferentes etapas da «lectio divina» não  afirmamos que se verifiquem todas, sempre  que  lemos ou escutamos a Palavra de Deus; nem tão pouco, que se tenha consciência da cada uma em particular. Podemos socorrer-nos   duma comparação. Ao longo do caminho íngreme, que leva a alguns santuários situados em altos Montes,  encontram-se capelinhas ou cruzeiros, onde os devotos se detêm  um pouco para observar, rezar e reflectir. Quando  subimos, o objectivo é alcançar o cume. E, se nos detemos  nas capelinhas, é de passagem.  Na «lectio divina» o cume e objectivo, que pretendemos alcançar, é o encontro com o Senhor, escutá-Lo, criar intimidade com Ele. Para encontrarmos o Senhor, temos as diversas etapas  da «lectio divina»:  leitura, meditação,  oração,  contemplação,  partilha e  compromisso.. Mais importante, todavia,  é que nos deixemos conduzir pelo E. Santo, para tornar possível  a experiência de Deus,  como aconteceu com os discípulos de Emaús.

Comecemos pela primeira etapa da «lectio divina»:   a Leitura-Escuta da Palavra. A leitura da Palavra de Deus, para  ser frutuosa,  exige condições, atitudes prévias, como: recolhimento, silêncio, concentração. Não se pode ouvir  Deus no meio do ruido. ( O bem não faz barulho e o barulho não faz bem). Para  nos colocarmos em condição de  ouvir falar o Senhor, necessitamos de silêncio interior ( Não se pode escutar a Palavra e discutir ao mesmo tempo o Futebol…), de  «sossegar a casa», como dizia S. João da Cruz.

Sossegada a casa interior,  começamos a leitura. Convém que seja uma leitura atenta, mastigada, pausada, de modo a captar   o sentido das palavras.  Sem isso, dificilmente poderá ressoar  no santuário do nosso coração, a voz amorosa de Deus, que convida à conversão. A Deus falamos quando rezamos e  a Deus  ouvimos quando lemos  suas palavras. Evite-se, portanto, a leitura apressada, não reflectida, superficial. Adoptemos  uma   atitude interior de escuta e de clima orante. «Aprende a conhecer a Deus nas palavras de Deus», dizia S. Gregório Magno. Façamos nossa a atitude que Deus recomenda a Ezequiel  para que escute « suas palavras com os ouvidos  e as guarde no coração». .Deve-se mesmo procurar o prazer ou fruição da leitura como quem recolhe as flores dum jardim, saboreando palavra a palavra. A leitura santa alimenta a fé, tal como o Corpo de Cristo.

Para  uma leitura aprofundada do texto bíblico  convém  tentar responder a estas perguntas:

- O que me diz o texto?  De que  assunto trata? Quais são os personagens e como reagem? Que termos se repetem mais vezes? Que testemunho de fé nos oferece o texto? Contribui também para uma boa leitura o  tomar  apontamentos, memorizar  o texto, saborear as palavras, etc.

 

2. Meditação

 

Após a leitura, vem a hora da reflexão, a aplicação da mensagem  à vida. É a meditação. A meditação, segundo Santa Teresa, consiste  em «discorrer muito com o entendimento».Por meditação entendemos  o esforço indispensável para descortinar as verdades contidas no texto proclamado. A  meditação tem como objectivo  responder à pergunta: «que me quer  Deus dizer»? Consiste, portanto, em  procurar  a verdade de Deus escondida no texto, à imagem de  Nossa Senhora, que «guardava todas as coisas no  coração».  Guido, o Cartuxo, descreve assim as duas primeiras etapas  da «lectio divina»: a «leitura busca; a meditação encontra. Entra pelo caminho aberto através da leitura e  encontras o que esta tinha procurado». Os Santos Padres  explicam  que a meditação da Palavra de Deus ajuda  a encontrar nela «   um alimento doce e nutritivo»,              como a abelha  que, depois de ter sugado as flores, fecha-se no seu favo e faz o mel de que todos beneficiam, pobres e ricos, nobres e humildes». Pela meditação da Palavra, o cristão deixa-se penetrar  pela força do amor de Deus. O Livro de Josué  indica como se deve fazer  meditação com a Palavra de Deus: « Não se afaste dos teus lábios o livro deste Lei; medita-o  dia e noite; assim procurarás agir em tudo conforme nele está escrito e terás felicidade nas tuas empresas» (Jos. 1,8); S. Bernardo define a meditação com esta metáfora gráfica:: «Quando rumino docemente a Palavra de Deus,  inflamam-se minhas entranhas e fico saciado no meu íntimo». A meditação da Palavra desperta o  gosto  pela  «compreensão  das Escrituras e dos mistérios de Deus»  .  Santo Agostinho diz o mesmo de modo  original: « Quem medita dia e noite na Palavra do Senhor, é como se ruminasse e encontrasse deleite no sabor dessa Palavra divina». Na meditação  adquirimos forças para assumir as responsabilidades da vida quotidiana. Por isso,  as escolas de espiritualidade tanto recomendavam a meditação para todos os que queiram progredir na experiência de Deus!.

 

3. Oração:

 

            A oração constitui a terceira etapa  ou degrau da «lectio divina». Depois da leitura e meditação «ruminada», o leitor  sobe a outro patamar,  ao patamar da oração.  De acordo com  a etimologia , orar é estar boca a boca com Deus., um dialogo intimo e pessoal com o Senhor. O leitor e ouvinte da Palavra, torna-se-a necessariamente   orante.  Orar, rezar, não é tanto o papaguear de Pais-nossos e Avé Marias, o desfiar mecânico de fórmulas, quanto o iluminar de luz interior os divertículos do coração. A oração passa por diversos graus, desde a simples oração vocal até à oração contemplativa,. Mas constitui sempre dom de Deus. Ela é gratuita, não se mede por palavras, mas por atitudes que brotam de dentro de nós, quando conscientes da intimidade com Deus. Quem ouve e medita a Palavra do Senhor, não pode deixar de agradecer ao Deus que nos fala. Da meditação  brota  vontade de orar.   Santo Agostinho  recorre a um belíssimo  trocadilho:«quando lês, é Deus que te fala; quando oras, falas tu a Deus». A oração surge do encontro do «coração» do homem com o «coração» de Deus, por mediação da sua Palavra».. A oração situa-se no centro da  resposta do homem à Palavra  do Senhor. Pela oração entra na  experiência Deus  Pai (ABBA). O cristão, como Maria, ora a Deus com a Palavra de Deus». A oração pode e deve ser pessoal e comunitária, orgânica e estruturada. Todavia, nunca  deixará der ser empenhativa da toda a pessoa, como os discípulos de Emaús, que, depois de escutarem o Senhor, rezaram: «Fica connosco»! O orante  torna-se  sempre mendigo do sentido da vida!

 

4. Contemplação.

 

Aparentemente,   oração e contemplação,  seriam uma mesma coisa. Situada na linha  da oração, a contemplação indica todavia  etapa diferente. Está num grau mais elevado. Exprime a meta da via espiritual, em que  a criatura se une ao  Criador. É o termo da escalada do monte onde Deus habita, o Sinai e o Tabor do  encontro pessoal com o Senhor. É a «alegria de viver só para Deus», na expressão de Santo Isidoro. Quando  alguém «conhece e compreende, quer e anela, saboreia somente a Deus», experimenta a contemplação.  Contemplar não significa tanto  um novo olhar acerca do mundo, mas consiste em nos sentirmos olhados e amados por Deus1. Para Guido, o Cartuxo,  a oração tende à contemplação: «Batei e abrir-se-vos-á pela contemplação». Quanto mais pura e afectiva for a oração, mais cedo desembocará na contemplação. Neste mundo, para a alma crente, a contemplação é a mais sublime dádiva do amor divino, a  felicidade do amante humano, porque introduz o homem no mistério do  amor de Deus, a expressão suprema da felicidade do homem em Deus.  De qualquer modo,  é a partir  do olhar contemplativo, que se aprofunda  nova  visão do mundo e  a vontade  de o transformar. Os contemplativos tornam-se profundamente activos. A contemplação concretiza a bem-aventurança: «felizes os puros de coração porque verão a Deus» (Mt.5,8).

 

5. Partilha da Palavra

 

Chamámos partilha ao momento  ou etapa  da  «lectio divina». Em que consiste? É um modo de conferir com os outros as etapas do nosso percurso espiritual.Diziam os rabinos que a Bíblia tem cem rostos!. De facto, a partir do mesmo texto, o Espírito Santo pode sugerir a cada um diferentes experiências de fé. Na partilha dialogamos e partilhamos as experiências, saídas da meditação da  mesma Palavra do Senhor. A Bíblia  não  pode considerar-se propriedade exclusiva de ninguém. Pertence ao Povo de Deus, à Igreja, e só em comunidade de fé   sua leitura terá pleno significado. Para tal muito pode contribuir a partilha. Na Liturgia é toda a comunidade que escuta, normalmente, sem partilha. A leitura em grupo e nas assembleias  possibilita  a partilha  entre os membros das diferentes experiências de fé.  A partilha da Palavra,  contribui, além disso,  para a criação dum sentido comunitário da fé e  para intensificar a comunhão na  diversidade,  em Igreja.  Mas  nunca por nunca poderá conduzir à discussão, à ruptura. A Palavra de Deus não pode servir para a discussão, mas  antes para nos maravilharmos, ao verificar como Deus age em cada um de nós. .  Talvez por isso, Santo Isidoro   tenha afirmado que «a partilha é superior á leitura individual… João Paulo II recomendou a prática da  partilha  a religiosos e leigos «Convém mesmo que tal prática ( partilha) seja proposta aos outros membros do Povo de Deus, sacerdotes e leigos, promovendo…escolas de oração, de espiritualidade e de leitura orante da Escritura, na qual Deus «fala aos homens como amigos (Ex. 33, 11; Jo 15, 14-15) e convive com eles (Bar. 3, 38) para os convidar e admitir à comunhão com Ele» (DV,2).

 

6.  Compromisso

 

            Para os antigos  a «lectio divina» culminava na contemplação do mistério de Deus, A meta da vida cristã consistia em viver angelicamente na presença de Deus!. A «lectio divina», processo cristão da leitura divina e escuta da Palavra, não pode  fechar-se na interioridade. Deve levar à conversão,  através do testemunho de vidas comprometidas ao serviço de Deus e dos outros  (Lc. 10,28). A Palavra de Deus conduz «a sabedoria do coração», isto é, a uma vida com Deus e em Deus,  que  implica   compromisso sério pela edificação do Seu Reino e pela  transformação do mundo. O «encontro com Deus, segundo S. Bento, leva o cristão ao encontro dos irmãos e faz dele um «irmão  útil».. suscitando novos profetas, possuidos de dinamismo  evangelizador. A contemplação torna-se fermento de transformação humana, social, política. Efectivamente, percorridos os caminhos do Espírito, há que passar à banalidade do quotidiano, descer da montanha divina à planície humana, vestir o fato-macaco do trabalho na «oficina» do nosso mundo. O cristão deve, portanto,  abundar em boas obras. Assim demonstrará  que o compromisso da «Lectio divina» corresponde ao compromisso com a eficácia da Palavra de Deus (Actos 2, 37).A Palavra de Deus lida e partilhada,  a sós ou em grupo, força a tomar posição, perante Deus e perante o mundo criado. Disso nos advertia Santo Agostinho: «Prestai atenção, irmãos,  porque nesta passagem bíblica se trata precisamente de vós. O contacto com a palavra de Deus, que fecundou a terra do  coração com a chuva  fecundante da Palavra  torna o cristão homem rico em boas obras (Is. 55,11). A acção passa a ser testemunho, compromisso, vida vivida, partilhada, e é isso que faz a força da palavra de Deus lida, meditada, rezada, contemplada.  Pelos obras externas os cristãos começam a exteriorizar naturalmente aquilo de que estão interiormente  possuidos.

         Numa hermenêutica existencial,  não se pode ler a Bíblia apenas  como documento histórico, mas como Palavra que Deus me dirige a mim, aqui e agora., forçando-me a tomar posição, diante dEle e do mundo criado. Termino com uma nota bíblica, que contém certo humor para os judeus. Um  judeu estudante do Talmud dizia ao rabino, seu Mestre::«Rabbi, já não sou ignorante: já entrei muitas vezes dentro do Talmud». Ao que respondeu o rabino: «Mas quantas vezes deixaste tu entrar o Talmud dentro de ti»? Aí está. O importante não está em entrar muitas vezes na Bíblia, lendo-a e meditando-a. Mais importante será  conseguir que a Bíblia entre dentro de nós, como recomenda a Dei Verbum (11 e 21):

«É tão grande o poder e a força da Palavra de Deus, que constitui sustento e o dinamismo da Igreja, firmeza de fé para os seus filhos, alimento da alma, fonte límpida e perene de vida espiritual». (DV 11 e 21). Ou lembrar a recomendação da Paulo:«O Evangelho é a força de Deus para salvação de todos os que crêem» (Rm 1,16). Com estas disposições,  este caminho da «lectio  divina» conseguiremos que a Palavra de Deus se torne « fogo purificador» (Is.6,6-7); chuva fecunda que faz efeito (Is. 55,10-11);«gozo e alegria do coração» (Jer. 15, 16); «força sedutora e fogo ardente» (Jer. 20,7-9); «alimento» (Mt.4,4).  É esta também a recomendação de João Paulo II: «Tomemos este Livro nas nossas mãos! Recebâmo-Lo do Senhor, que continuamente no-lo  oferece a través da  sua  Igreja (cf. Ap. 10,8). Comâmo-lo (cf. Ap.10,9), para que se torne vida da nossa vida. Saboreemo-lo profundamente; embora sem nos poupar canseiras, conseguirá dar-nos alegria porque é doce como o mel (cf.Ap. 10, 9-10).  (A Igreja na Europa (p.78)

Frei Vítor Arantes, OFM

< anterior   Seguinte >

Noticias da Actualidade

Estatísticas desde JAN/05

Visitantes: 21892387

Utilizadores Online

Temos 117 anónimos online
J.A.T. template series was designed 2006 by 4bp.de: www.4bp.de, www.oltrogge.ws
Patanol